sábado, 11 de outubro de 2008

Sociedade

Somos como cães que gospem o fogo
Como aqueles que julgamos
Aqueles que falamos

Somos daqueles que sentamos nas janelas
E deixamos o dia passar
E a lingua jorrar as palavras

O pobre morre na esquina
A mesma esquina que abriga uma planta
Que nasce do meio dos espinhos

Sufocada pelas estreitas paredes
Pisoteada pelo linguajar estranho
Espionada pelas linhguas desconhecidas

A planta se ergue assim como o pobre
Que tem de amanhecer e buscar seu pão
Seu orvalho do dia

Os espinhos sufocam
Podem deixar você se envenenar
Deixar sua angústia caminhar pelas paredes

Até que o raio de sol te encontra
E te dá a mão para levantar
Até que o dia nos faz seguir

A sociedade e suas línguas contra todos
A união dos hipócritas e suas escrituras
Contra o povo de seu sangue

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